Saúde

04/06/2018 04:39

UTIs: Alta Floresta e mais 5 cidades polo estão na lista dos esquecidos do governo

Governo de Mato Grosso comemora a ampliação de 73% do número de leitos de Unidade de Terapia Intensiva (UTI) em Mato Grosso na atual gestão. Entretanto, seis cidades, das 13 que possuem o serviço ficaram de fora da lista, como Barra do Garças, Colíder e Juína que não foram contempladas com nenhuma UTI no Governo Taques. Do total de leitos de atendimento intensivo existentes no Estado (529), 44% estão na Capital, revelando como o interior está desguarnecido desse tipo de assistência médica. 

Barra do Garças (a 516 km de Cuiabá), cidade polo da região Araguaia, foi excluída do investimento do governo do Estado. O prefeito Beto Farias (MDB) reclama do esquecimento e afirma que os atuais 10 leitos de UTI são insuficientes para atender a demanda. "O Pronto-Socorro e o Hospital Municipal Milton Morbeck atendem pacientes de 33 municípios de Mato Grosso e até de Goiás", contabiliza. "Estamos construindo uma sala com mais 10 leitos de UTI com recursos viabilizados no Ministério da Saúde e na Caixa Econômica Federal CEF, na ordem de R$ 996 mil. Tivemos que correr atrás", completa.

O prefeito de Colíder e presidente do Consórcio Intermunicipal de Saúde, que engloba 10 municípios do nortão, Noboru Tomiyoshi, também ficou sem receber investimento para terapia intensiva. Ele admitiu que a saúde na região não está da forma que queria e aponta atrasos nos repasses do Estado na ordem de R$ 800 mil. “Temos 8 leitos de UTI, esse número nunca vai ser o suficiente para atender a população do nortão a contento, mas estamos avançando”, resumiu.

Mesmo com a ampliação de leitos apontada pelo Estado, levantamento realizado pela Secretaria de Estado de Saúde (SES/MT) em novembro de 2017, revelou um déficit de 660 novos leitos, ou seja, Mato Grosso precisa mais do que dobrar o atual número de UTIs para atender a sociedade de forma adequada. Para piorar, o Conselho Regional de Medicina (CRM) alerta que o Estado vem perdendo leitos de UTI, já que as novas vagas vem sendo abertas principalmente pela iniciativa privada.

Quem sofre com isso é a população mais carente e do interior. Em 2018, seis pessoas, sendo duas crianças, morreram aguardando uma vaga de UTI. O caso do bebê Henry, de 3 dias, que morreu por falta de leito em UTI neonatal no Hospital Regional de Peixoto de Azevedo (a 698 quilômetros de Cuiabá) é emblemático, causou indignação ao promotor de justiça Marcelo Mantovani Beato, que conseguiu uma vaga para o menino por meio de decisão judicial, mas que não foi disponibilizada pelo Governo do Estado a tempo.

"Henry, infelizmente, não pode vivenciar a transformação que esse Estado tanto propaga em suas campanhas publicitárias, abastecidas com milhões de reais oriundos do erário, mas sem recursos para adquirir um respirador automatizado ou providenciar a abertura de novos leitos de UTI Neonatal", escreveu o promotor em oficio encaminhado à Procuradoria Especializada em Defesa da Criança e Adolescência.

O caso do bebê João Gabriel Tauffer Silva, de um mês, por pouco não se transforma em uma nova tragédia. Ele foi transferido dia 16 de maio, por determinação judicial, para o Hospital Pequeno Príncipe, em Curitiba (PR), referência em pediatria do país e foi submetido a uma bandagem da artéria pulmonar no dia 18, terá que passar por outras cirurgias. As cirurgias não são realizadas em Mato Grosso. A luta da família começou no dia 4 de maio, quando o bebê foi internado no Hospital Regional de Água Boa (a 741 km de Cuiabá), com um quadro de cardiopatia grave (entupimento de três veias e sopro). Foram necessárias duas decisões judiciais para que o Estado providenciasse o atendimento adequado. A primeira liminar determinou a transferência, no dia 7, para uma UTI Neonatal do Hospital Santa Casa, em Rondonópolis, onde foi aberta uma vaga de UTI neonatal e a segunda decisão determinou a trasferencia paea a capital do Paraná.

Fiscalização CRM

Marcus Vaillant

 Maria Fatima Correa CRM

A presidente do CRM, Maria de Fátima Ferreira, informa que o conselho realizou fiscalização nas unidades de saúde com UTIs em 2017 e retornou este ano para verificar a situação. “Estamos assistindo ao fechamento de leitos no estado. Leitos são abertos, principalmente na rede privada e o fechamento de leitos se dá em especial na rede pública, o que agrava a desigualdade de acesso à saúde”, aponta. 

Segundo a presidente, dados da fiscalização do CRM em Sinop, por exemplo, apontam que o Hospital Santo Antônio, mantido pela Fundação de Saúde Comunitária de Sinop, possui 12 leitos de UTI adulto e 12 entre pediátrico e neonatal. Já no Hospital Regional, há 10 leitos da unidade intensiva de adultos e 10 pediátricos. “Porém esses 10 leitos infantis estão fechados. Dos 32 divulgados pelo governo só 10 são públicos”, contesta.

Maria de Fátima afirma que ao fazer um cálculo rápido do número de leitos, sem distinguir o que é público e privado, relacionando com o número de população a ser assistida, pode-se ter falsa impressão de que a situação está sob controle. “Esta análise subestima a gravidade da situação. Na verdade temos grande número de leitos privados que atende uma parcela bem menor da população do Estado”, critica.

Outro lado

Gilberto Leite

O goverPedro Taquesnador Pedro Taques rebateu a crítica do CRM, concordou que a maioria dos 200 leitos abertos na atual gestão é da iniciativa privada, mas pondera que são mantidas por repasses públicos. “É fato que a abertura de novos leitos é da rede particular, mas quem paga a conta? Em Tangará da Serra por exemplo, pagamos 100% dos filantrópicos. Dois terços são custeados pelo estado e o complemento é da União”, justifica.

“Existe o déficit de UTIs? Existe, mas é um déficit de 50 anos. Não sou Deus para resolver todos os problemas, sou governador do Estado há apenas 3 anos e 5 meses”, reforçou. “Estamos melhorando na saúde? Eu tenho a convicção que sim. A saúde está 100%? Eu seria um idiota de dizer que está”, concluiu.

Custo

Conforme a Portaria 20/2018, da SES, o custo de uma diária de leito de UTI adulto (tipo II), é de R$ 1.199,28. Deste valor, o Estado banca a maior parte, R$ 721,28, o que corresponde a 60,14% do total. Já o Ministério da Saúde repassa R$ 478, o equivalente a 39,86% do custo da diária. Essa complementação de custeio o governo faz para todos os tipos de UTI`s.


O site Florestanet, foi o primeiro site de notícias de Alta Floresta, teve a sua operação iniciada em 1999, sendo um dos pioneiros no jornalismo on-line.

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