Saúde

21/03/2018 08:49 Eliza Gund/FlorestaNet

Hospital Regional de Alta Floresta anuncia fim da greve

A greve foi anunciada no final do mês de janeiro de 2018, e iniciada no dia 29 a paralisação parcial dos atendimentos médicos no Hospital Regional Albert Sabin em Alta Floresta, os serviços eletivos foram parados, o hospital passou a atender apenas urgência e emergência até que todos os débitos sejam quitados, destes um tem como referência o ano de 2016. Uma paralisação geral chegou a acontecer no início do mês de março. Conforme o diretor geral do hospital, José Marcos Santos da Silva, explicou ao site FlorestaNet, os atendimentos obstetrícios e urgência e emergência continuam sendo realizados e gradativamente os outros atendimentos estão retornando com os pagamentos de 2017 todos quitados.

“O atendimento da gestante é considerado atendimento de urgência, então isso teve três dias de instabilidade porque nós tínhamos um médico de sobreaviso, porque os médicos não conseguiram vir pra fazer o plantão, mas isso já está reestabelecido, quanto as outras áreas, a cirurgia e a pediatria, já estão funcionando adequadamente”, apontou José Marcos, frisando que outros atendimentos deverão voltar. “Ainda nós precisamos negociar o retorno da ortopedia, que ainda está tendo alguns problemas por conta do mês de novembro (2016) e nós vamos mostrar pra eles que agora é a gente acreditar que isso poderá acontecer encontrando uma forma técnica adequada de se fazer”. 

PAGAMENTOS

Sobre os débitos do Estado com os médicos, José Marcos explicou que há um débito do mês de novembro do ano de 2016, “É um problema técnico, o Estado não tem mecanismo pra efetuar esse pagamento até que tenha uma sobra de recurso designado para isso”. Os outros débitos já foram quitados, dos meses de outubro, novembro e dezembro de 2017. “O Estado pagou equivalente à 2017, o ano de 2018, a partir da próxima semana, no máximo 15 dias, começa a ser pago o mês de janeiro e aí acompanha já na frequência correta para se pagar fevereiro e assim por diante. Então esperamos que daqui pra frente nós tenhamos o mínimo de atraso possível, e o mínimo de atraso para o que nós temos é o mês trabalhado, faturado 23 dias depois, mais o processamento, ou seja, dá 60 dias de descompasso, então 60 dias é considerado normal entre o serviço realizado e o pagamento, então nós esperamos que consigamos chegar nesse ponto para que a gente possa equilibrar os serviços”.

REPASSES

José Marcos destacou que existem muitas cobranças, em torno das questões de repasses para a saúde, no âmbito municipal e estadual, que a nível federal as cobranças não são feitas. “Primeiro, nós temos um engessamento dos preços dos serviços que o Ministério paga para os municípios o estado, isso têm muitos anos que não se tem uma atualização de tabela. Segundo, grande parte dos hospitais faz além do que ele está cadastrado, e isso não é voluntário, se fosse voluntário a gente dizia – não vou fazer e vou passar pra outro. – se tivesse outro pra fazer, aí nós somos obrigados a fazer aquilo que o município e o estado não remunera. E a longo prazo ele vai diminuindo o repasse que deveria ser maior, porque ele não consegue medir o tamanho da nossa produção, nós informamos a produção, mas o que não está cadastrado ele não considera como feito, então a tendência a longo prazo é que vá cortando aquilo que ele considerou que não foi feito dentro do cadastrado. Isso é um problema gravíssimo pro país inteiro, porque o nível de investimento do Governo Federal é muito baixo e precisa entrar no que constitucionalmente definido, que é entre 12% e 15%, isso não tem sido praticado”.

GESTÃO

As dificuldades em fazer uma boa gestão também são destacadas pelo diretor, que destaca que, “Existem dois pontos aí que você pode considerar má gestão, primeiro que você administrar estruturas que estão depreciadas é muito complicado, porque você vai sempre gastar mais do que o que deve gastar se a estrutura estiver em boas condições. Eu considero que manter uma estrutura significa trazê-la sempre para condição de projeto dela, mas qual projeto? Se esse hospital não foi projetado para se isso que ele é, então vai sempre se gastar mais porque ele não foi estruturado, esse é um ponto. O outro ponto é você usar mau o recurso financeiro que é disponibilizado pra você, eu penso que tá muito mais na estrutura do que foi definido como Atenção Básica, Média Complexidade e Alta Complexidade. Bem estruturada e investindo onde se deve investir para evitar que um faça o trabalho do outro, por exemplo, a Atenção Básica fazer trabalhos além do que é de atenção básica, ou a Média Complexidade ter que voltar pra fazer a Atenção Básica, quando o custo da Média Complexidade é mais alto que a Atenção Básica, então é preciso que isso seja ‘cada um no seu quadrado’ para que o custo seja compatível com o serviço que está sendo feito, isso se não estiver acontecendo é má gestão, isso parece pouca coisa, mas nos centavos você pode ter grandes volumes sendo desperdiçados”. 

FIM DA GREVE 

“Esperamos que se encerre integralmente na próxima semana, quando esses pagamentos estarão acontecendo, já estão sendo processados e eles estão percebendo que está sendo processado, então isso eu espero que sensibilize eles pra voltar ao serviço”, concluiu José Marcos Santos da Silva, diretor geral do Hospital Regional Albert Sabin.


O site Florestanet, foi o primeiro site de notícias de Alta Floresta, teve a sua operação iniciada em 1999, sendo um dos pioneiros no jornalismo on-line.

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