Agronegócio

31/03/2017 08:42 Agronotícias

OPERAÇÃO PODE PREJUDICAR REAJUSTE PARA TRABALHADORES DE FRIGORÍFICOS NO NORTÃO, AVALIA SINDICATO

Os reflexos da Operação Carne Fraca, deflagrada no último dia 17, pela Polícia Federal, podem atrapalhar as negociações por reajuste de salários para cerca de 3,4 mil trabalhadores de frigoríficos no Nortão. De acordo com o presidente do Sindicato dos Trabalhadores nas Indústrias de Carnes e Laticínios do Portal do Amazônia (Sintracal), José Evandro Navarro, não está descartado o adiamento da data-base, que atualmente é em maio. “Dependendo como for, vamos suspender as negociações. É preferível atrasar a data-base do que prejudicar os trabalhadores”, afirmou, ao Só Notícias/Agronotícias.

Para Evandro, as empresas devem utilizar o momento turbulento para baixar os valores de reajuste. “Elas têm todos os argumentos a favor para retirar até direitos e benefícios. E acredito que vão utilizar. A nossa posição é pré-estabelecida, no sentido de apresentar uma proposta e aguardar a resposta. Dependendo, adiamos as negociações e esperamos a reação do mercado. O que a gente decidir valerá para o ano inteiro. Então, não podemos negociar no calor do momento”.

O sindicalista teme também que um possível enfraquecimento do mercado de carne no Estado possa resultar em demissões de trabalhadores. “A unidade de Alta Floresta entrou com férias coletivas. A princípio, por 20 dias e pode prorrogar por mais dez. Acredito que, quando retomar a produção, será com capacidade mínima. Eles negam demissão, mas acredito que isso vai acabar ocorrendo gradativamente. A minha avaliação é que o cenário externo não vai recuperar rapidamente. Esta operação repercutiu muito mal no exterior”.

A assembleia geral para iniciar as discussões sobre reajustes de salários para os trabalhadores de frigoríficos da região Norte será neste sábado (1), em Alta Floresta. O Sintracal representa trabalhadores também em Apiacás, Carlinda, Colíder, Guarantã do Norte, Marcelândia, Matupá, Nova Bandeirantes, Nova Canaã do Norte, Nova Guarita, Nova Monte Verde, Nova Santa Helena, Novo Mundo, Paranaíta, Peixoto de Azevedo e Terra Nova do Norte.

Conforme Só Notícias já informou, a JBS confirmou que haverá férias coletivas de 20 dias, a partir da próxima segunda-feira, em 10 de suas 36 unidades de abate de bovinos. As férias coletivas podem se estender por mais dez dias. Em Mato Grosso são 11 unidades. Dessas, quatro terão férias coletivas e a produção ficará completamente parada nos municípios de Alta Floresta, Juína, Diamantino e Pedra Preta.

A JBS não informou quantos funcionários foram atingidos com essa medida em Mato Grosso. Atualmente ela emprega 125 mil trabalhadores. Além de Mato Grosso, também serão afetados funcionários de três frigoríficos de Mato Grosso do Sul, um do Pará, um em São Paulo e um em Goiás.

Segundo a empresa, a medida é necessária por causa dos embargos temporários impostos a carne brasileira pelos principais países importadores, assim como pela retração nas vendas de carne bovina no mercado interno nos últimos dez dias. Isso ocorreu depois que empresas que tiveram nomes envolvidos no escândalo da operação Carne Fraca, deflagrada no dia 17 de março e que apura o envolvimento de empresas que produzem alimentos, em um esquema que subornava fiscais federais para que fosse autorizada a comercialização de produtos que já estavam em condições impróprias para consumo.

A JBS não teve unidade interditada pelo ministério da Agricultura. Em nota anterior, sobre a operação, a empresa declarou que a Operação Carne Fraca não identificou nenhum problema nos produtos dela e que segue os mais rígidos padrões de qualidade e de segurança alimentar.


O site Florestanet, foi o primeiro site de notícias de Alta Floresta, teve a sua operação iniciada em 1999, sendo um dos pioneiros no jornalismo on-line.

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